Vida: Sociedade, Meio Ambiente e Educação

Num vislumbro sobre nossa sociedade atual, podemos analisar superficialmente que se de um lado, convivemos com grandes avanços tecnológicos que não param, quer seja em informática com os netbook, notebooks e tablets, cada vez mais avançados, quer seja na área de celulares com o smartfone, iphone, ipod, ipad, BlackBerry, Android, Windows Phone e tantos outros que ainda estão por vir. E, o consequente surgimento de palavras e vocábulos novos como Twitter, msn, messenger, whatsApp, facebook, imo, hi-fi, além de incontáveis aplicativos que nos permitem interagir uns com outros, através de multiplataformas, etc. Termos, agora incorporados frequentemente ao nosso vocabulário do dia a dia. Claro, esses avanços tecnológicos são importantes. De acordo com Jan Koum , o criador e presidente-executivo da empresa, o WhatsAPP é usado por mais de 700 milhões de usuários ativos por mês. Quem, hoje, fica sem facebook ou WhatsAPP ?
Por outro lado, vivenciamos um período de volubilidade econômica e política que tem se intensificado nos últimos anos, não só em nosso país. Mas, em outras partes do mundo. Com o advento da globalização, da crise econômica, dos conflitos e das migrações internacionais. Novos desafios são impostos à nossa realidade. Aspectos políticos, econômicos e sociais são revistos e novas formas de lidar com essa realidade desafiam nossos governos, estudiosos e políticos.
Esses contrastes sociais, econômicos e até culturais tem caminhado em várias direções. Se de um lado temos visto o aumento significativo da população, principalmente nos grandes centros. Por outro, com a urbanização acelerada e o consequente crescimento desordenado e desorganizado das cidades, presenciamos um crescimento da desigualdade social que dentre outros fatores tem colaborado com aumento da violência, da criminalidade e da marginalização. Seja ela, causada pela discrepância entre pobres e ricos, pelas diferenças econômicas, sociais e culturais ou ainda pelas distorções de consumismo, frustradas em grande parte pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho e a forma como está situação tem se manifestado no imaginário de nossas crianças, jovens e adultos. O fato é que convivemos com tais situações. E, que elas parecem que não tem fim.
Não é incomum presenciarmos crianças pedindo dinheiro nas ruas, cada vez mais jovens envolvendo-se com uso de entorpecente, conhecermos alguém que foi vítima de furto ou roubo. Além disso, constantemente acompanhamos pela imprensa uma crise social que se intensifica e oscila. De um lado, surgem quadrilhas especializadas em determinadas modalidades de crimes como é o caso recente de grupos de indivíduos fortemente armados que invadem bancos. Usam metralhadoras potentes com poder de derrubar helicópteros, além de explosivos com alto poder de impacto, chegam a destruir agências inteiras . Por outro lado, a questão da violência em suas múltiplas formas , tanto dentro como fora das instituições escolares, tem gerado preocupações intensas por parte dos estudiosos e cientistas sociais. Além de discussões e pesquisas em diferentes campos de estudos como a psicologia social, a antropologia, a sociologia, a criminologia, entre outras áreas. A preocupação com os reflexos do comportamento social e suas manifestações tem gerado debates calorosos, mas que infelizmente não tem resolvido muito o problema como um todo. De acordo com uma pesquisa feita com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos), o Brasil esta no topo de um ranking de violência em escolas, segundo a:
(…) Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.Trata-se do índice mais alto entre os 34 países pesquisados – a média entre eles é de 3,4%. Depois do Brasil, vem a Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%

Para a Profª Drª Lideli Crepaldi, psicóloga e professora da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Centro Universitário Fundação Santo André e sócia do SINPRO ABCDe, a violência mais comum se dá entre os próprios estudantes e diz que:
Apesar de a violência física estampar um número muito maior de manchetes, é a violência moral que mais assusta aos professores de todos os níveis de ensino, desde o Infantil ao Superior. Xingamentos, gestos obscenos, perturbações, indisciplina. Problemas que atrapalham o andamento das atividades pedagógicas e os relacionamentos dentro da escola. Os casos de bullying – a violência moral entre os próprios alunos – também chocam educadores e familiares, inclusive ultrapassando os muros da escola e chegando ao ambiente virtual, onde situações vexatórias de alunos podem ser acessadas por qualquer pessoa.

Brian Perkins, professor e diretor do programa de Liderança em Educação Urbana da Universidade de Columbia, nos EUA, diz que o Brasil tem um grave obstáculo para melhorar a educação: a questão da segurança.
No mesmo artigo, Perkins afirma que:
(..) as escolas estão atrasadas em relação à forma de ensino. Ele defende mudanças como a incorporação da tecnologia na sala de aula e novos métodos para avaliar os estudantes.
A nova função da educação é desenvolver uma sociedade de pessoas que pensem de forma crítica, no sentido de solucionar problemas, e que sejam independentes. Mas, não é assim que treinamos nossos professores.

Infelizmente, independentemente das ações adotadas até hoje pelas políticas de ensino; independentemente das diversas posturas metodológicas e pedagógicas adotadas pelas instituições no Brasil; independentemente de análises estatísticas e geoespaciais, realizadas constantemente pelos órgãos responsáveis pela segurança pública; independentemente de todas as ações políticas e legislativas avaliadas e reavaliadas até hoje; ainda, independentemente de todas as pesquisas e trabalhos acadêmicos realizados até agora, tristemente esses desencontros sociais continuam a se aflorar em meio a nossa sociedade, assombrando as futuras gerações e o futuro de nosso planeta.
Como consequência de tudo o que está acontecendo a nossa volta, temos medo de sair de casa, de andar nas ruas, de sofremos assaltos ou sermos agredidos. Isolamo-nos, aumentamos nossos muros, colocamos câmaras de segurança, nos fechamos em condôminos fechados e até contratamos segurança privada. Ao pararmos nosso veículo num semáforo, ficamos atentos e tensos com medo. Medo de sermos assaltados. Medo das pessoas que se aproximam. Enfim, medo de tudo! Tristemente, nada disso é novidade. Constantemente, lemos sobre esses desencontros em jornais e nos meio de comunicação televisiva, falada ou mesmo pela internet. A impressão que se tem é que tudo isso passou a ser visto como comum e rotineiro. Algo normal, corriqueiro. E, que faz parte de nosso cotidiano. A pergunta que me faço é a seguinte: como posso encarar tal situação como normal. É comum vivermos com medo de sair de casa? De ir ao mercado? De ir às escolas ou as universidades? Ou de andar nas ruas?
Não se preocupar com essas questões e principalmente com o futuro de nossa sociedade significa isolar-se da realidade. Realidade esta, que faz parte de nosso dia a dia. E, que é a mesma que criamos nossos filhos ou educamos nossas crianças. Como será daqui a dez ou vinte anos? Ou mais? O que o futuro nos reserva?
Acredito que o futuro é resultado de nossas ações no presente. E, a forma como encaramos essa realidade na tentativa de fazer algo para mudá-la. Será que podemos fazer alguma coisa para mudar nosso futuro?
A cada dia que passa, aumenta a população mundial. Hoje somamos mais de 7, 2 bilhões de pessoas em todo mundo. De acordo com as informações da Organização das Nações Unidas (ONU) no estudo “Perspectivas de População Mundial” as projeções de crescimento demográfico para a população mundial deve chegar a 8,1 bilhões de pessoas em 2025 e 9,6 bilhões em 2050. Só no Brasil, somos 201.032.714 habitantes, com base nos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicados no Diário Oficial da União. Com todo esse crescimento populacional, infelizmente, os desencontros de que antes falamos tem toda a probabilidade de se intensificar.

E, não só isso. Infelizmente, estamos testemunhamos em nosso cotidiano mudanças climáticas constantes em nosso planeta, nosso lar. O aquecimento global, alterações de temperaturas, climas alterados, mudanças em biomas e nas biodiversidades de animais e vegetais. Muitas espécimes já perderam, outras estão em extinção. Além disso, há a questão do descarte de lixo.

Não só o ambiente social e cultural ao qual vivemos está comprometido, como também o ambiente natural, a natureza a nossa volta, nosso planeta, encontra-se pedindo socorro. Como afirmou o  Papa Francisco: “Precisamos cuidar de nossa casa comum, nosso planeta! ” na CARTA ENCÍCLICA LAUDATO SI’ DO SANTO PADRE FRANCISCO publicada em maio de 2015, que fala sobre o cuidado com a CASA COMUM, na qual nos trás um alerta importante sobre os caminhos que nossa sociedade atual vem seguindo. Vale a pena da uma olhada:

http://www.crbnacional.org.br/site/attachments/article/2068/CARTA%20ENC%C3%8DCLICA%20LAUDATO%20S%C3%8D.pdf

Creio que a única forma de se minimizar está situação seja  baseada na união social. Apoiada em princípios de ética e cidadania. Mudanças sociais, políticas e educacionais de toda a sociedade devem ser revistas e reavaliadas,  levando em conta o que está acontecendo a nossa volta. Não só fazer analises quantitativas, mas qualitativas. Entendendo o homem como um ser social, cultural que se relaciona com o outro e com o ambiente a sua volta.

A meu ver, não importando nossa área de especialização ou profissão, todos devemos nos unir e se preocupar com esta questão, na buscar um futuro melhor, mais justo e de PAZ! Um mundo talvez utópico para alguns, mas que todos nós, de uma forma ou de outra, desejamos alcançar. Mesmo os mais céticos.

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